Na direção do Rosa dos Ventos

Escutar a história dos integrantes do Grupo Rosa dos Ventos é buscar, na nossa própria memória, traços de uma típica juventude visionária, para a qual qualquer sinal de dificuldade poderia rapidamente se tornar um motivo a mais para se seguir adiante na realização de um ideal, de um sonho. Em 1999, quando o cenário era até então a Unesp (Universidade Estadual Paulista), instituição em que estudavam na cidade de Presidente Prudente (SP), as afinidades e as necessidades entre os (ainda) estudantes fizeram com que começassem a atuar com brinquedos cantados em atividades de extensão de seus cursos.

Ao passo que foram deixando de realizar tais animações, iam se aventurando na experimentação de números circenses, tendo os primeiros contatos com o malabarismo, as acrobacias e o equilibrismo ao assistirem aos espetáculos dos circos que faziam suas praças nas cidades da região. Até que, em 2001, mesclando esses números com gags, entradas e piadas clássicas de palhaços, estrearam sua primeira montagem, o “Hoje Tem Espetáculo”, com a qual estão em circulação até os dias atuais. Com esse espetáculo na mala, o jeito era saciar a vontade de cair na estrada, conhecer novos lugares e, muito desejosamente, ter bons motivos para irem à praia – como eles mesmos justificam as viagens. Então, iniciaram suas andanças e, após se depararem com os tantos artistas de rua pela estrada, nunca mais voltaram a ser os mesmos . “O artista de rua tem uma linguagem muito própria de se relacionar com o público, que tem a ver com a nossa forma, que foge um pouco desse teatro clássico e se aproxima até daquilo que muitos vão dizer que não é teatro, que é outra coisa”, explica Luis Valente, que, com Robson Toma, Fernando Ávila e Tiago Munhoz, formam um grupo que se tornou referência no empenho em promover ações que favoreçam políticas públicas para a arte de rua e o circo.

Nem tudo são flores
Apesar do esforço de elaborar tantas ferramentas para se relacionarem com o público em cena, nem sempre há uma devolutiva receptiva por parte dele nos espaços urbanos. “Quem é artista de rua sofre”, conta Tiago Munhoz. “É triste demais a pessoa lidar com você e nem olhar; o fato de estar no semáforo e ela não tá nem olhando pra você que está se apresentando”, queixa-se. Daí, conforme a bagagem artística do grupo aumentava, ficava mais evidente sua preferência por espaços alternativos e periferias, o que não impedia – e até hoje não impede – a flexibilidade de expor o repertório também nos demais espaços das cidades e até em festivais de arte do qual participam. “Como a gente trabalha com o riso, é muito fácil contagiar as pessoas mesmo com esse jeito popular”, partilha Tiago.

Em 2014, com outros grupos de teatro e demais artistas associados, já formavam um coletivo no município tendo como princípio comum a busca pela democratização da cultura e da arte: o Galpão Cultural Lua Barbosa (ou Galpão da Lua). O nome é uma referência à artista e ex-integrante do coletivo, Luana Barbosa (Lua), que foi vítima de um tiro disparado por um policial militar durante uma blitz de trânsito em Presidente Prudente. Dois anos depois, eles ocupam a área da antiga estação ferroviária da cidade prudentina, passando a ser o novo endereço da sede. “Junto com outras pessoas, a gente compartilha a gestão do Galpão da Lua”, explica Luis. O local, hoje em dia, é palco de uma programação variada de atividades ligadas à música, ao teatro e ao circo (veja a programação aqui).

A luta por querer viver somente de arte e a relação cada vez mais estreita do grupo com os movimentos de arte de rua lhes permitiram se aprofundar mais ativamente nas políticas públicas do setor cultural. E, paralelamente, houve o amadurecimento como artistas na rotina de seus ensaios e o aprimoramento técnico na montagem dos espetáculos. “A gente vive desse trabalho, então, a gente sai na busca. Não existe um caminho certo para você garantir recurso, garantir que você vá fazer apresentações”, diz Tiago.

E assim, ao longo de 18 anos de trajetória, somam-se ao primeiro espetáculo da trupe os seguintes títulos: “Saltimbembe Mambembancos”, “O Bicho”, “O Cortejo”, “A Farsa do Advogado Pathelin”, “Rabo de Foguete” e “Super Tosco”. Com este último, uma recente estreia, o músico Nicochina e os palhaços Beterraba, Dez pras Sete e Custipil de Pinoti vêm mostrando que o “super” é só um delírio, posto que é a tosquidão que se apresenta integralmente nos números apresentados, seja na forma de uma oferta ao público de um delicioso refresco de abacaxi (curtido na cueca!); de um cão adestrado avançando na plateia; seja com bambolês, malabarismos, acrobacias e, principalmente, caretas pra todo lado!

Nossa Caravana_SP acompanhou o Rosa dos Ventos em sua passagem pelo Sesc Campinas no mês de abril, onde apresentaram o “Hoje Tem Espetáculo” e o “Super Tosco”. Fomos também fazer uma visita ao grupo lá em Presidente Prudente, tanto para espiar uma oficina realizada com a criançada do Sesc Presidente Prudente quanto para conhecer o incrível Galpão da Lua. Confira o resultado de nossa reportagem (em dias de muita diversão e bom papo) no vídeo abaixo e na galeria de fotos disponível no início desta postagem. Ah! O vídeo é acessível a pessoas com deficiência auditiva. Basta ativar a função de legendas/Closed Captions.

 

Grupo Rosa dos Ventos
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